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Como
autêntica representante do bom samba brasileiro, você tem alguma prevenção
quanto aos inúmeros grupos de pagode jogados no mercado pelas gravadoras?
Quem sou eu para
criticar alguém? O que é bom fica. Tem espaço para todo mundo. Eu não
censuro música. Posso não gostar de alguma canção, daí vem um outro e diz
que adora. Respeito quem me ama e quem não gosta de mim.
Mas
e o bumbum da Carla Perez? Virou produto de exportação.
O Brasil tem muita
sensualidade. Mas a gente não pode exagerar. É só lembrar dos bons tempos do
(Oswaldo) Sargentelli e suas mulatas representando o Brasil no mundo inteiro.
Ele não exagerou e ninguém criticou. Aliás, criticar hoje em dia não é a
minha. Todo mundo está ganhando sua grana, quem tem bumbum para mostrar mostra,
quem tem gogó, como eu, mostra também, e vamos pedir a Deus que todos sejam
felizes.
Você
sofreu racismo na juventude. O Brasil ainda é racista?
Puxa, é mesmo,
nem me lembrava dessa história. Um amigo meu compositor, o Aldacir Louro, levou
um funcionário da RCA para me ver cantar no Texas Bar, no Leme. O homem gostou,
me achou maravilhosa, mas disse que a empresa não queria uma cantora negra. Mas
quando ganhei muito dinheiro, entrei em todos os lugares e fui muito bem
tratada. Sem grana, você não entra em lugar algum, não importa a cor. A gente
sabe que o racismo ainda existe.
Nas
eleições de 1995, você apoiou publicamente Fernando Henrique Cardoso para a
Presidência. Está satisfeita com o governo dele?
De política eu
entendo muito pouco, entendo mais de feijão com arroz. Mas quando ele assumiu já
encontrou o País de cabeça para baixo. Acho que em quatro anos não dá para
desentortar o Brasil. O único torto que deu certo foi o Mané Garrincha.
É
notório que sua relação com Garrincha foi muito conturbada. E os momentos
bons?
Quando ele estava sóbrio era a coisa mais linda que Deus já fez na Terra. Uma
criança gentil e carinhosa. Mas tinha seus pecados, como todos os homens, e
onde ia tinha lá suas fãs. Só que eu só quero me lembrar do lado belo dele.
Um
livro escrito por Ronaldo Bôscoli, publicado em 1995, diz que você teve um
caso com João Gilberto. É verdade?
Cruzes! Menino!
Antes eu tivesse tido... João Gilberto era o meu maior amigo e se eu saísse
com ele, nessa época da bossa nova, estaria traindo o Milton Banana, que era
baterista dele. Com o Banana, sim, eu tive um caso. Ah, o João era um grand
ELZA SOARES (2)
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